domingo, 4 de julho de 2010

PÃO E CIRCO.

"CADA POVO TEM O QUE MERECE ".

É sabido que vivemos atualmente momentos verdadeiramente dificeis. A crise que se faz sentir, projeta no próprio ser humano todas as suas fraquezas e faz mostrar as suas dependências, sendo estas, essencialmente de teor econômico/financeiro.
A expressão “para o povo, pão e circo”, é uma conhecida frase criada pelo imperador romano Otavio Augusto a qual se resume basicamente, ao fornecimento de comida com baixo custo e diversão para afastar a atenção da corrupção, das enfermidades sociais, do bem-estar real dos cidadãos e de forma a suprimir o espírito crítico e a capacidade activista e contestadora inata em cada ser humano.
De certa forma… se pensarmos bem… a vida que levamos, o mediatismo exacerbado que diáriamente (quase) somos obrigados a consumir, os arquetipos que nos querem incutir, a programação televisiva que irrompe pelos nossos olhos dentro, nomeadamente a paixão que o futebol desperta nas massas e todo o “cor-de-rosismo” emitido a toda a hora, intercalado por diversos comerciais que nos levam a adquirir aquilo que não necessitamos, refletem exatamente o retorno, talvez não de uma “politica”, mas de um sentimento coletivo ligado a essa ideia.
Somos um povo ocioso, retraído, habituado a ser condescendente e com tendência ao pré-derrotismo, se hoje existe crise, aguardamos à espera que esta passe … sem nada fazer, sem cansar os nossos delicados músculos, sem exercitar os nossos (poucos) neurônios. Esta não é apenas a política do “Pão e circo” é também a política do “deixa andar”.